Isso faz uma grande diferença. Por um lado podemos começar a fazer cultura embrionária sem manipulação, ou seja, a partir do momento em que o espermatozóide entra dentro do óvulo, os óvulos fecundados são colocados dentro do embryoscope e depois nós conseguimos observar continuamente tudo o que se passa até poucos minutos antes da transferência dos embriões para o útero.
Isso é uma grande evolução porque há coisas que se tornaram visíveis e que só são visíveis com este tipo de tecnologia. Antes de termos o embryoscope, todos os dias abríamos a incubadora, expúnhamos todos os embriões que lá estavam a variações de temperatura e de gases medicinais, retirávamos os embriões, observávamos ao microscópio, tirávamos uma fotografia e voltávamos a guardá-lo. Um embrião que esteja dois minutos fora da incubadora demora quase uma hora para recuperar as condições de estabilidade anteriores. Agora com o embryoscope, os embriões já não saem da incubadora, portanto estão em condições absolutamente estáveis.
Por outro lado estamos sempre a observá-los e não apenas uma vez de 24 em 24 horas. Com isto, conseguimos analisar sobretudo os embriões de má qualidade, ajudando-nos a perceber quais é que têm baixa probabilidade de implantação. Por exemplo: um embrião que divida diretamente de uma a três células, existem vários estudos que demonstram que a probabilidade de implantar é de cerca de 1% ou até menos, ou seja, é um embrião que em princípio não transferiremos, a não ser que seja o único e que o casal, depois de informado, assim o queira.
Tudo isto são fatores que nos fazem otimizar a probabilidade de conseguir uma gravidez. No fundo, é para isso que os casais aqui estão e nos casos em que isso não é possível, contribuir também para que as pessoas percebam as razões pelas quais os tratamentos não estão a resultar, sendo que naturalmente, isso também pode condicionar decisões da sua vida reprodutiva.
- Dr. Vladimiro Silva
Administrador e Diretor do Laboratório de PMA
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